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TREES Special: Mercado de trabalho colombiano

Na América Latina - e especialmente na Colômbia - o mercado de trabalho é caracterizado por altos níveis de informalidade, profundas desigualdades por gênero, origem social, raça e território, e pela exclusão de jovens, migrantes e populações rurais.

De acordo com o Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE), entre março e maio de 2025, o A taxa de informalidade do trabalho foi de 55,9%, Isso significa que mais da metade dos trabalhadores não paga contribuições de saúde e previdência. No centros rurais e populosos dispersos, Essa proporção é tão alta quanto 83,4%, Essa é uma evidência de uma divisão territorial.

Isso é agravado pelas desigualdades de gênero: as mulheres têm maior probabilidade de serem as mulheres ganham, em média, 5,8% menos do que os homens por hora trabalhada e enfrentam níveis mais altos de desemprego e informalidade.

É nesse contexto que, a partir do TREES, propomos esta edição especial para iniciar uma conversa crítica e diversificada sobre os desafios enfrentados pelo emprego na Colômbia. Em vez de oferecer respostas fechadas, buscamos problematizando o presente do trabalho e seus possíveis futuros.

Na Colômbia, como aponta Óscar Becerra, pesquisador do Centro de Estudos sobre Desenvolvimento Econômico (CEDE) da Faculdade de Economia da Universidad de los Andes, esses problemas estruturais se traduzem em um mercado de trabalho desigual, no qual mais da metade dos trabalhadores não tem acesso à proteção social.

As falhas estruturais do mercado de trabalho colombiano, adverte Becerra, aumentam a pobreza, limitam a produtividade e dificultam a mobilidade social.

Como o Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2019), O trabalho decente é essencial para o bem-estar das pessoas e o desenvolvimento sustentável das sociedades“. Entretanto, na Colômbia - como em grande parte da América Latina - o trabalho reflete as desigualdades estruturais que permeiam a vida social.

Informalidade e desigualdades de gênero, raça, origem social e território não são fenômenos isolados: eles fazem parte de uma sistema que historicamente tem distribuído oportunidades, renda e direitos trabalhistas de forma desigual, A falta de acesso ao emprego decente e à proteção social é um grande obstáculo ao desenvolvimento do mercado de trabalho, reproduzindo lacunas que limitam o acesso ao emprego decente e à proteção social.

O professor Óscar Becerra explica que o mercado de trabalho colombiano é um espaço onde “empregos são criados, mas destruídos". Além disso, A dinâmica das empresas colombianas é a dinâmica das pequenas empresas. Mais de 90% das empresas na Colômbia têm menos de 10 funcionários.”.

Essa característica explica grande parte da fragilidade do sistema: o tamanho das empresas limita a produtividade, a inovação e a capacidade de oferecer empregos formais com proteção social. Nesse contexto, a reforma trabalhista busca equilibrar os direitos dos trabalhadores com a sustentabilidade dos negócios, um desafio que, de acordo com Becerra, continua em aberto.

Para obter mais informações, convidamos você a assistir a este vídeo, no qual o professor e pesquisador Óscar Becerra e o vice-ministro de Emprego e Pensões, Iván Daniel Jaramillo Jassir, analisam a estrutura do mercado de trabalho colombiano, as políticas públicas para torná-lo mais digno e inclusivo e os desafios impostos pelo trabalho do futuro.

Se você quiser se aprofundar, propomos uma jornada por diferentes abordagens e vozes que lhe permitirão entender melhor os desafios do mercado de trabalho na Colômbia.

Um tour pelo conteúdo do especial

Capital social no trabalho

Na América Latina - uma das regiões mais desiguais do mundo, de acordo com a CEPAL (2023) - o acesso a um emprego formal e estável ainda é condicionado por fatores que têm pouco a ver com mérito ou esforço. O local de nascimento, o sobrenome, a educação dos pais ou as redes familiares são tão importantes quanto as qualificações ou habilidades técnicas. Esse conjunto de relacionamentos e vínculos que ampliam as possibilidades de acesso a um emprego melhor é conhecido como capital social e é fundamental para entender a dinâmica do mercado de trabalho.

Esse capital social não apenas influencia quem tem acesso a determinadas oportunidades, mas também como as portas se abrem ou se fecham durante a vida profissional. A socióloga María José Álvarez, professora da Universidad de los Andes, estudou esse fenômeno em profundidade. Sua pesquisa Equilibrar o campo de jogo, apresentado neste filme de pesquisa do TREES, faz uma análise crítica das desigualdades enfrentadas por estudantes universitários de primeira geração ao entrarem no mundo do trabalho.

Em última análise, a ligação entre melhores empregos e capital social mostra que a desigualdade no mercado de trabalho não começa com a falta de treinamento, mas no exato momento em que as portas do emprego se abrem ou se fecham. Reconhecer isso é o primeiro passo para a criação de políticas e práticas de contratação que não reproduzam os privilégios de origem, mas que ampliem o acesso ao talento e à diversidade de que o país precisa para crescer.

Desigualdades de gênero no mercado de trabalho

Na Colômbia, a carga de cuidados que recai sobre as mulheres é responsável por uma grande parte da emprego e a diferença de renda entre homens e mulheres, mas continua sendo uma dimensão invisível da política econômica. O tempo gasto com cuidados - para crianças, idosos ou dependentes - ainda é limita sua participação no mercado de trabalho, sua independência econômica e seu bem-estar.

O infográfico “O cuidado não deve custar oportunidades de emprego”.” exploramos como as Manzanas del Cuidado em Bogotá estão contribuindo para a melhorar a qualidade de vida das mulheres e para abrir novas oportunidades.

Desde 2020, as Maçãs Carinhosas - uma das iniciativas mais inovadoras da América Latina - atenderam mais de 860.000 mulheres e suas famílias gratuitamente, oferecendo serviços educacionais, de saúde e bem-estar enquanto outra pessoa cuida de seus entes queridos.

Seu compromisso é transformador: redistribuição do atendimento para liberar o tempo das mulheres e abrir oportunidades.

Essa abordagem demonstra que, quando o Estado assume parte do ônus do atendimento, é possível que ele seja responsável por uma parte do atendimento, o emprego das mulheres cresce e a equidade se torna mais tangível. Em uma entrevista com El País, Ana Güezmes, representante da CEPAL, disse que investir em sistemas de atendimento poderia aumentar a participação feminina no mercado de trabalho na América Latina em até 12%.

Esse tipo de política demonstra que a promoção da igualdade exige reconhecimento e redistribuição do trabalho de assistência, e garantir condições de trabalho que não aprofundem as desigualdades existentes. Entretanto, nem todas as reformas apontam nessa direção.

No Café com TREES, a professora Natalia Ramírez, da Faculdade de Direito da Universidad de los Andes e membro do Projeto Digna, refletiu sobre como o reforma trabalhista de 2025 (Lei 2466), embora introduza disposições destinadas a melhorar as condições do trabalho doméstico e rural, pode estar tendo efeitos adversos sobre o emprego das mulheres.

As tensões geradas pela reforma mostram que as desigualdades de gênero não são resolvidas apenas por políticas públicas: elas também afetam profundamente a vida de mulheres e homens. os espaços onde o trabalho é vivenciado diariamente. E é nesse nível - o das práticas, culturas organizacionais e decisões comerciais - que grande parte do patrimônio está em jogo.

Em uma entrevista para este artigo especial, conversamos com Mía Perdomo, cofundadora da Aequales, uma empresa latino-americana dedicada a promover a igualdade de gênero e a diversidade nas organizações. Sua reflexão mostra como os imaginários sobre quem se encaixa no local de trabalho continuam a reproduzir estruturas de exclusão que limitam a participação plena de mulheres, pessoas diversas e grupos historicamente marginalizados.

Ele também mostra como iniciativas como a Classificação PAR, liderados pela Aequales, permitiram que o centenas de organizações medem suas lacunas de gênero, revisam seus processos e ajustam suas culturas internas para uma maior corresponsabilidade.

Jovens em um mercado de trabalho incerto

Na Colômbia, para milhares de jovens, O trabalho não é mais sinônimo de estabilidade. Embora o país mostre uma recuperação nos números de emprego, a maioria dos novos empregos permanece informal, com baixa renda e sem proteção social.

Diante desse cenário, muitos jovens optam pelo empreendedorismo em vez de aceitar empregos precários. Entretanto, para muitos deles, o empreendedorismo não é uma escolha completa, mas uma saída forçada para a falta de oportunidades formais.

E o que acontece quando os jovens entram no mercado de trabalho tradicional? Beatriz Blanco, colaboradora da Mutante e líder da conversa “Vamos falar sobre a precariedade dos jovens”.”, Em uma entrevista para esta reportagem especial, ele destacou que o que muitos jovens encontram não é uma oportunidade de crescimento, mas uma experiência de desilusão: estágios não remunerados, empregos fora de sua área profissional ou empregos temporários com condições abusivas.

Por esse motivo, é essencial abordar as tensões que marcam o início da vida profissional: a dificuldade de acesso a um emprego formal, a pressão para gerar renda imediata e a sensação de que a experiência profissional é construída em detrimento da estabilidade. Neste Vox Pop (parte 1), perguntamos aos jovens sobre as escolhas de carreira que tiveram de fazer.

As vozes dos jovens mostram que o mercado de trabalho é um cenário cheio de incertezas. A lacuna entre a educação, as expectativas e a realidade do trabalho revela um sistema que não consegue garantir oportunidades justas e estabilidade.

De que conversas precisamos para transformar o mercado de trabalho colombiano?

Essa jornada não tem a intenção de encerrar a discussão, mas de abrir novas questões sobre como trabalhamos hoje e que tipo de trabalho queremos construir para o futuro. As vozes, os dados e as perspectivas reunidos neste relatório especial mostram que o mercado de trabalho na Colômbia é um terreno cheio de nuances, tensões e oportunidades a serem exploradas. É exatamente por isso que precisamos de mais conversas: para entender melhor o que está acontecendo conosco, para questionar o que consideramos garantido e para imaginar, entre muitos, caminhos mais justos e inclusivos.

Na TREES, queremos continuar promovendo esses diálogos e convidamos você a se juntar a nós nas próximas conversas, pois o trabalho de transformação é - e deve ser - um exercício coletivo.

Fontes consultadas no especial:

  • Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). (2022). A inclusão trabalhista como chave para o desenvolvimento social inclusivo. CEPAL.
  • Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). (2023). Panorama Social da América Latina 2023. CEPAL.
  • Centro de Estudos Distributivos, Trabalhistas e Sociais (CEDLAS) (2022). Desigualdade de renda e mobilidade social na América Latina. Universidade Nacional de La Plata.
  • Esquivel, V. (2024). Trabalho, gênero e desigualdade: desafios para a equidade na América Latina. Buenos Aires: CLACSO.
  • Fedesarrollo (2025). Relatório sobre o mercado de trabalho: Emprego informal e proteção social na Colômbia. Fedesarrollo.
  • Folbre, N. (2012). The Political Economy of Care: Building a More Caring Economy (A economia política do cuidado: construindo uma economia mais cuidadosa). Cambridge Journal of Economics, 36(2), 373-390.
  • Monitor de Empreendedorismo Global (GEM). (2021). Relatório Global de Empreendedorismo 2021: Colômbia. GEM.
  • Pesquisa sobre o Espírito Empreendedor dos Estudantes da Universidade Global (GUESSS). (2024). Relatório Colômbia 2024. Projeto GUESSS.
  • Organização Internacional do Trabalho (OIT). (2019). Trabalho decente e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: um guia para apoiar o diálogo social. OIT.
  • Organização Internacional do Trabalho (OIT). (2023). Persistent inequalities in Latin American and Caribbean labour markets (Desigualdades persistentes nos mercados de trabalho da América Latina e do Caribe). OIT.
  • Perdomo, M. (2025). Entrevista para a reportagem especial “Rethinking Work: Inclusion, Inequality and Transformation” (Repensando o trabalho: inclusão, desigualdade e transformação). ÁRVORES.
  • Ramírez, N. (2025). Café com a Prof. Natalia Ramírez: reflexões sobre a reforma trabalhista de 2025 (Lei 2466). Faculdade de Direito, Universidad de los Andes.
  • Sen, A. (1999). Desenvolvimento como liberdade. Oxford University Press.
  • Standing, G. (2011). The Precariat: The New Dangerous Class (O Precariado: A Nova Classe Perigosa). Bloomsbury Academic.
  • Álvarez, M. J. (2025). Equilibrando o campo de jogo: desigualdade e a primeira geração universitária. Universidad de los Andes / TREES.
  • Blanco, B. (2025). Vamos falar sobre a precariedade dos jovens. Mutante
  • Perdomo, M. (2024). Classificação PAR e igualdade de gênero em empresas latino-americanas. Iguais.
  • Alcaldía Mayor de Bogotá (2024). Apples of Care: Relatório de resultados 2020-2024. Secretaria Distrital da Mulher.
  • González, C. (2025). Da sala de aula: professores ensinando trabalho e desigualdade. Universidade dos Andes.
  • Bencomo, Tania Z. (2008). “O trabalho visto de uma perspectiva social e jurídica”.”. Revista Latinoamericana de Derecho Social, n.º 7 (julho-dezembro), pp. 27-57. Universidade Nacional Autônoma do México.
  • Becerra, Óscar; Bojanini, Gabriela; Eslava, Marcela; Fernández, Manuel. (2023). “A reforma trabalhista e as necessidades do mercado de trabalho colombiano”.” Nota Macroeconômica nº 51, Faculdade de Economia, Universidad de los Andes.
  • DANE (2025). Boletim Técnico GEIH: Mercado de trabalho informal - trimestre janeiro-março de 2025. Bogotá D.C. Disponível em: https://www.dane.gov.co/files/operaciones/GEIH/bol-GEIHEISS-ene-mar2025.pdf
  • The Spectator (2024). “Emprego informal na Colômbia: mulheres e o campo, os mais afetados”.” O Espectador, 21 de junho de 2024. Disponível em: https://www.elespectador.com/economia/macroeconomia/informalidad-laboral-en-colombia-las-mujeres-y-el-campo-los-mas-afectados/
  • Organização Internacional do Trabalho - OIT (2024). Visão Geral do Trabalho 2024: América Latina e Caribe. Genebra: OIT. Disponível em: https://www.ilo.org/americas/publicaciones/WCMS_904270/lang–es/index.htm
  • A República (2025). “A informalidade do mercado de trabalho ficou em 55,9 % entre março e maio de 2025.” A República, 3 de junho de 2025. Disponível em: https://www.larepublica.co/economia/la-informalidad-en-el-mercado-laboral-se-ubico-en-55-9-entre-marzo-y-mayo-de-2025-4177084
  • Infobae (2024). “DANE divulgou dados sobre a informalidade na Colômbia: cada vez mais trabalhadores correm o risco de perder suas aposentadorias”.” Infobae Colômbia, 12 de agosto de 2024. Disponível em: https://www.infobae.com/colombia/2024/08/12/dane-dio-a-conocer-cifra-de-informalidad-en-colombia-cada-vez-son-mas-los-trabajadores-en-riesgo-de-perder-la-pension/

Miradas del sur global sobre la justicia ambiental

Desde TREES creamos este especial de Justiça ambiental para fomentar estas conversaciones y debates. Lo hacemos partiendo de esta idea: la justicia ambiental no puede pensarse al margen de la justicia social.

Más que ofrecer respuestas cerradas, este especial abre un espacio de exploración sobre las múltiples formas en que la economía, la política y la vida cotidiana se entrelazan en los territorios de las comunidades que históricamente han cuidado la naturaleza.

Para guiar este recorrido, organizamos los contenidos en siete pilares temáticos, concebidos como distintos lentes para aproximarnos a los desafíos de la crisis socioambiental en Colombia, que no impacta a todos por igual. Mientras algunas poblaciones cargan con las consecuencias más severas de la degradación ecológica, otras se benefician de los mismos modelos extractivos que la producen.

Surgen entonces preguntas clave: ¿qué estructuras históricas y políticas de exclusión sostienen estas desigualdades ambientales? ¿Cómo pensar una justicia que no solo denuncie las asimetrías, sino que reponga, reconozca y priorice a las comunidades afectadas, al mismo tiempo que coloca el cuidado de la naturaleza en el centro?

A través de voces provenientes de la investigación, el periodismo, los movimientos sociales y las instituciones públicas y privadas, proponemos una conversación plural y crítica, que reconozca las tensiones, contradicciones y también las posibilidades de transformación en este momento histórico.

Índice

1. ¿Qué entendemos cuando hablamos de justicia ambiental?

La justicia ambiental no nació como una prolongación de la agenda verde tradicional. Mientras esta última suele centrarse en la conservación de la naturaleza, la protección de ecosistemas o el desarrollo sostenible desde una mirada institucional, la justicia ambiental emerge como una respuesta social y política frente a la distribución profundamente desigual de los daños ambientales. Mientras algunas poblaciones soportan la mayor carga de los daños ecológicosotras se benefician de los modelos extractivos que los generan.

Esa desigualdad no es fortuita: históricamente, las comunidades empobrecidas y racializadas han estado más expuestas a la contaminación del aire, del agua y del suelo, a los residuos tóxicos y a proyectos extractivos o industriales de alto riesgo. En muchos lugares del mundo, vivir junto a un vertedero, una refinería o una carretera de alto tráfico no es cuestión de azar, sino el resultado de estructuras políticas, económicas y territoriales que benefician a unos sectores mientras trasladan a otros los costos del deterioro ambiental, con efectos directos sobre la salud física, mental y, en general, sobre la posibilidad de llevar una vida digna.

Esta conciencia sobre la distribución desigual de los daños ambientales empezó a visibilizarse en Estados Unidos durante las décadas de 1970 y 1980. Fue entonces cuando comunidades locales —particularmente afrodescendientes— se organizaron para denunciar cómo eran sistemáticamente las más afectadas por la contaminación industrial, los vertederos tóxicos y otras formas de degradación ambiental.

El concepto de justicia ambiental surgió de las luchas impulsadas por comunidades afrodescendientes en Estados Unidos. Se trata de una noción que va más allá de la protección y conservación del medio ambiente: exige también equidad, reparación histórica y la participación activa de las comunidades en las decisiones que afectan sus territorios.

Un ejemplo emblemático de injusticia ambienta es el caso de Louisiana Energy Services (LES), que en 1989 obtuvo permiso para construir plantas de enriquecimiento de uranio en zonas con alta pobreza y con mayoría de población afroamericana. Este caso, como explica Iván López en un artículo publicado en Eunomía. Revista en Cultura de la Legalidad, fue clave para el desarrollo conceptual de la justicia ambiental, al evidenciar cómo las decisiones sobre riesgo ambiental suelen recaer desproporcionadamente sobre comunidades racializadas y empobrecidas.

Fonte: imagen tomada del artículo “Origen y evolución del movimiento de justicia ambiental”.

Desde entonces, el concepto trascendió sus orígenes locales y fue incorporado por movimientos ecologistas, organizaciones multilaterales y comunidades afectadas en diversas regiones del mundo, especialmente en el sur global. Para comienzos del siglo XXI, la justicia ambiental ya no se limitaba a denunciar el racismo ambiental en Estados Unidos: se había consolidado como una herramienta crítica para analizar cómo las relaciones entre poder, territorio, desigualdad y medio ambiente generan impactos desiguales sobre distintos grupos sociales.

En la actualidad, este lente se aplica en contextos tan diversos como:

  • O Amazonas brasileño, donde pueblos indígenas como el Mundurukú resisten la minería ilegal y a las represas hidroeléctricas que amenazan sus territorios.
Foto de: https://www.dw.com/de/illegale-abholzung-und-bergbau-bedrohen-gemeinden-im-amazonasgebiet/a-45656372.
  • O periferias urbanas de América Latina, como Villa Inflamable en Buenos Aires oIztapalapa en Ciudad de México, donde comunidades viven expuestas a contaminación del aire, del agua y del suelo.
Foto de: https://elpais.com/internacional/2018/02/14/argentina/1518638112_243046.html.
Foro de: https://gacetadeiztapalapa.com.mx/en-iztapalapa-debemos-erradicar-los-tiraderos-a-cielo-abierto-fortalecer-al-personal-de-limpia-y-mejorar-la-infraestructura/.
  • Los desiertos africanos, como en Níger, donde la minería de litio ha desplazado a comunidades.
Foto de: https://es.euronews.com/green/2024/12/12/el-lado-oscuro-de-la-mineria-de-litio-en-nigeria-pobreza-infantil-y-explotacion-laboral.
Tomado de: https://www.infobae.com/america/the-new-york-times/2020/02/17/el-paraiso-natural-que-esconde-la-muerte-a-causa-de-la-construccion-de-represas/.
Tomado de: https://www.worldwildlife.org/descubre-wwf/historias/cumbre-amazonica-debe-resultar-en-compromiso-coordinado-y-efectivo-de-los-paises-para-la-conservacion-del-bioma-y-el-desarrollo-sostenible.

2. Formas en que se expresa la injusticia ambiental

Las desigualdades ambientales no se limitan al ámbito local: también se manifiestan a escala global. El sur global —entendido como aquellas regiones históricamente marginadas del poder económico y político, como América Latina, África y gran parte de Asia— soporta los impactos más severos del deterioro ambiental, pese a haber contribuido mucho menos a sus causas.

De acuerdo con el World Air Quality Report de IQAir, nueve de los diez países con peor calidad del aire se encuentran en el sur global, mientras que los principales emisores históricos —como Estados Unidos, Alemania o Reino Unido— no aparecen en esa lista. Esta disparidad revela un patrón estructural de distribución desigual de cargas y responsabilidades ambientales.

De acuerdo con este reporte, 9 de los 10 países con peor calidad del aire están en el sur global:

  1. 🇹🇩 Chad.
  2. 🇧🇩 Bangladés.
  3. 🇵🇰 Pakistán.
  4. 🇨🇩 República Democrática del Congo.
  5. 🇮🇳 India.
  6. 🇹🇯 Tayikistán (el único país de la lista del norte global).
  7. 🇳🇵 Nepal.
  8. 🇺🇬 Uganda.
  9. 🇷🇼 Ruanda.
  10. 🇧🇮 Burundi.

Esto se observa, por ejemplo, en la forma en que muchos países del norte global han reducido sus impactos ambientales locales trasladando actividades contaminantes, residuos o demandas extractivas hacia otras regiones. Aunque internamente logran garantizar mejores condiciones de vida —como aire más limpio, acceso a zonas verdes o regulaciones estrictas—, su huella ecológica se proyecta sobre el sur global, donde se concentran las cargas asociadas a la extracción de recursos, la producción industrial o la disposición final de desechos.

Algunos ejemplos ilustran estas dinámicas:

  • En Centroamérica, comunidades indígenas y campesinas enfrentan sequías y tormentas cada vez más extremas como consecuencia del cambio climático.
  • En Colombia, el pueblo U’wa —que habita territorios de páramo en el nororiente del país— ha resistido durante décadas la expansión petrolera. Para esta comunidad, la tierra es sagrada y el petróleo constituye “la sangre de la Tierra”, por lo que su defensa articula dimensiones espirituales, ambientales y políticas.
  • En África, el auge de los agrocombustibles ha incrementado el precio de los alimentos, con graves repercusiones sobre la seguridad alimentaria local.
  • En Asia, la producción masiva de aceite de palma en Indonesia ha provocado deforestación y una significativa pérdida de biodiversidad.

Incluso, algunas estrategias impulsadas por organismos internacionales, que en principio buscan mitigar el cambio climático, han generado tensiones importantes. Un ejemplo es REDD+ (Reducción de Emisiones por Deforestación y Degradación de los Bosques), un mecanismo que promueve la conservación de los bosques tropicales como forma de capturar carbono, permitiendo que países o empresas compensen sus emisiones a través de proyectos forestales en el sur global.

Sin embargo, aunque organismos internacionales como la ONU, el Banco Mundial y gobiernos donantes del Norte Global han promovido REDD+ como una solución climática, en múltiples contextos este mecanismo ha sido cuestionado por comunidades indígenas y afrodescendientes en países como Colombia, Brasil y Perú, quienes denuncian que se ha implementado sin consulta previa ni participación plena. Estas comunidades han señalado que el mecanismo puede reforzar desigualdades en el acceso, control y distribución de los beneficios derivados de los bosques. En algunos casos —como reportan organizaciones indígenas amazónicas agrupadas en la COICA—, los proyectos han provocado desplazamientos o han restringido formas tradicionales de vida, en nombre de una conservación impuesta desde afuera.

En TREES hicimos este video en el que participan Juan Camilo Cardenas, docente e investigador de la Facultad de Economía de la Universidad de los Andes, y Julia Miranda, representante a la Cámara y exdirectora de Parques Nacionales de Colombia. En la conversación, analizan el mercado de bonos de carbono y los alcances y limitaciones actuales de los mecanismos REDD+ en Colombia. Lo puedes ver aquí:

La crisis socioambiental en Colombia no impacta a todos por igual. Mientras algunas poblaciones soportan la mayor carga de los daños ecológicos, otras se benefician de los modelos extractivos que los generan. ¿Cómo se explica esta paradoja? ¿Qué estructuras de exclusión siguen reproduciendo la desigualdad ambiental en el país? Y, sobre todo, ¿qué implicaría avanzar hacia una justicia ambiental que repare, reconozca y priorice a las comunidades afectadas, mientras pone en el centro el cuidado de la naturaleza?

Frente a estos desafíos, emergen diversas estrategias, debates y apuestas orientadas a reconfigurar la relación entre sociedad y naturaleza desde perspectivas más justas y sostenibles. En este especial nos proponemos mapear algunas de esas preguntas clave:

  • ¿De qué manera es posible impulsar una transición ecológica que no reproduzca ni amplifique las desigualdades sociales existentes?
  • ¿Qué modelos de desarrollo, de gobernanza y de producción de conocimiento se encuentran actualmente en disputa en este proceso?
  • ¿Cuál es el papel de los diferentes actores sociales, políticos y económicos en la configuración de un futuro más justo?

Para abordar estas tensiones, organizamos el contenido en siete pilares temáticos, cada uno de los cuales ofrece una entrada particular para pensar los vínculos entre justicia ambiental, conocimiento y acción colectiva.

3. Siete pilares para pensar la justicia ambiental

Pilar 1: Las desigualdades en el día a día: el caso del huracán Iota

Con el propósito de mostrar cómo las comunidades experimentan de manera desigual los impactos del cambio climático, en este especial analizamos el caso del huracán Iota en Providencia. En noviembre de 2020, este fenómeno —el primero de categoría 5 en golpear el archipiélago— dejó una huella profunda en la vida de la comunidad raizal. Este evento fue más que una tragedia natural: significó una ruptura en la infraestructura, la economía y la cultura local. Para comprender mejor estas consecuencias desde la perspectiva comunitaria, conversamos con June Marie Mow, directora de la Fundación Providence, quien compartió cómo la isla ha enfrentado este proceso de reconstrucción y resistencia.

Las consecuencias fueron devastadoras: viviendas destruidas, vegetación arrasada y una comunidad enfrentando pérdidas materiales, afectaciones emocionales y transformaciones dolorosas en sus formas de vida. El proceso posterior de reconstrucción también reveló profundas desigualdades: muchas decisiones se tomaron sin participación local, se levantaron casas en zonas de riesgo y se perdieron prácticas culturales clave, como la recolección de agua en cisternas. Para quienes habitan la isla, el impacto del huracán persiste en las formas en que hoy se habita, se decide y se reconstruye el territorio.

Para narrar esta historia, diseñamos una infografía ilustrada. Conócela aquí:

Según el análisis Múltiples Colombias del BID, en la “Colombia Vulnerable”, a la que pertenece regiones como San Andrés y Providencia, más del 58 % de la población presenta al menos una necesidad básica insatisfecha, y solo el 36,8 % accede a agua de calidad. En contraste, departamentos como Bogotá, Antioquia o Valle del Cauca —integrantes de la “Colombia Consolidada”— registran un acceso al agua de calidad del 93,7 %, junto con niveles mucho más bajos de pobreza multidimensional.

Este contraste permite analizar cómo las condiciones estructurales determinan la manera en que se vive una emergencia. Una comparación con territorios más robustos en infraestructura, servicios básicos y capacidad institucional podría mostrar diferencias notables en la rapidez de la respuesta, en el acceso a ayudas humanitarias y en la posibilidad de reconstrucción.

Aun así, la comunidad no parte únicamente de sus carencias, sino también de sus capacidades. En Providencia, organizaciones como la Fundación Providence han trabajado para fortalecer la apropiación local de la gestión del riesgo y promover la participación activa en los procesos de reconstrucción.

En contextos en los que el Estado plantea soluciones externas —muchas veces sin consulta previa y sin conexión con la realidad cultural y ambiental—, la resiliencia no es algo que se imponga desde afuera: se fortalece en el territorio, a partir de la memoria y la organización colectiva.

Pilar 2: Investigaciones desde el sur global sobre justicia ambiental

Para TREES, resulta fundamental divulgar conocimiento riguroso que amplía la mirada sobre las desigualdades desde el sur global. El reto no es solo estudiar los problemas, sino hacerlo a partir de marcos, preguntas y metodologías innovadoras que respondan a contextos concretos, involucren a las comunidades afectadas y dialoguen con los debates globales.

En esta línea, la economista María Alejandra Vélez, profesora titular de la Facultad de Economía de la Universidad de los Andes, ha investigado las tensiones que surgen cuando los mercados de carbono y los proyectos REDD+ se implementan en territorios con baja capacidad estatal y escasa participación comunitaria. En sus estudios sobre REDD+, Vélez Lesmes y colegas han señalado que emergen tensiones entre quienes promueven estos proyectos y las comunidades vinculadas. Estas tensiones, en muchos casos, derivan en cuestionamientos profundos por parte de líderes locales sobre la gobernanza de sus territorios. Aunque no documentados en entrevistas formales, reflejan la preocupación que suelen expresar estas comunidades cuando la información y la participación quedan relegadas.

Por otro lado, un estudio reciente, liderado por Carolina Castro, destaca que los proyectos REDD+ implementados en el Pacífico colombiano tuvieron efectos importantes en la reducción de la deforestación y de los cultivos ilícitos en comunidades afro, en comparación con aquellas que no participaron en estos programas.

En este Research Film, producido en el marco de este especial, la profesora Vélez explica en detalle los mecanismos REDD+, así como sus alcances y limitaciones actuales. Conócelo aquí:

Desde otra perspectiva, el economista Juan Camilo Cárdenas, profesor de la Facultad de Economía de la Universidad de los Andes, ha dedicado más de dos décadas al diseño de metodologías experimentales para comprender y abordar conflictos socioambientales complejos. En casos como el del páramo de Santurbán, su trabajo ha consistido en recrear —mediante juegos y simulaciones— los dilemas que enfrentan campesinos, mineros, funcionarios y habitantes urbanos en torno al uso del agua y los impactos de la minería. El objetivo no es ofrecer una fórmula técnica para resolver el conflicto, sino propiciar espacios de confianza, empatía y acción colectiva.

En un momento en que abundan las soluciones técnicas y los compromisos globales en torno a un mundo más sostenible, este pilar subraya la necesidad de producir conocimiento que dialogue con los territorios y con quienes experimentan directamente las consecuencias de la crisis socioambiental, al tiempo que resulta pertinente para el debate global.

Pilar 3: Desde las aulas: profes enseñando justicia ambiental

¿Cómo enseñar sobre justicia ambiental en aulas dominadas por números, gráficas y curvas de oferta y demanda? El recurso pedagógico, Mudanças climáticas na sala de aula: uma exploração experimental do mercado competitivo, diseñado por Juan Camilo Cárdenas, Karen Castro y Sergio Díaz propone un camino: transformar la clase en un mercado de automóviles vivo, con vendedores, compradores y contratos que, tras varias rondas, revelan no solo quién gana y quién pierde, sino también quién asume los costos ocultos.

La simulación inicia como un mercado competitivo convencional: estudiantes que negocian precios y maximizan utilidades. Sin embargo, la verdadera lección aparece cuando irrumpe el costo ambiental: cada transacción implica un descuento colectivo que todos deben pagar, hayan participado o no.

El entusiasmo inicial se convierte entonces en debate: ¿es justo que todos asuman el mismo costo? ¿qué significa negociar en un mundo atravesado por externalidades como el cambio climático?

Este giro pedagógico convierte la teoría en experiencia. El aula deja de ser un espacio abstracto y se transforma en un laboratorio de justicia ambiental, donde se pone a prueba la tensión entre eficiencia y equidad, entre interés individual y responsabilidad colectiva. Al reflexionar sobre lo vivido, los y las estudiantes descubren que las decisiones económicas nunca son neutras: siempre redistribuyen beneficios y costos, y lo hacen, casi siempre, de manera desigual.

Pilar 4: El rol de las empresas en la justicia ambiental

El sector empresarial es uno de los actores que más incide en la configuración de los territorios. Su influencia no se limita a la capacidad económica, sino que se manifiesta también en las consecuencias que generan sus decisiones sobre el uso del suelo, el acceso a los recursos naturales y la transformación de las dinámicas territoriales —es decir, de las relaciones sociales, culturales, ecológicas y económicas que sostienen la vida en un lugar—. Esta incidencia se hace particularmente evidente en zonas rurales, áreas de frontera extractiva o regiones con alta biodiversidad, donde las operaciones empresariales pueden redefinir de manera profunda los modos de habitar, producir y decidir.

Por ello, el papel del sector privado en la justicia ambiental no se restringe únicamente a mitigar daños. Implica transformar sus formas de operar y asumir de manera explícita la responsabilidad por los efectos sociales y ecológicos de sus actividades. Como lo señala Laura Barajas, investigadora de la Fundación Ideas para la Paz, en el informe El potencial de las empresas para transformar territorios (2023): “las empresas no solo deben intervenir para reducir impactos, sino participar activamente en la construcción de bienestar colectivo en los lugares donde operan”.

En América Latina, la discusión sobre sostenibilidad empresarial ha evolucionado hacia una visión que reconoce la responsabilidad social, ética y ambiental como parte inseparable de la gestión organizacional. Como señala Miguel Muriel, profesor en la Universidad Internacional SEK, en la Facultad de Ciencias Sociales y Jurídicas, en un análisis regional sobre sostenibilidad, “la empresa sustentable es absolutamente compatible con el desarrollo social y el económico”, y demanda una transformación de los modelos tradicionales de producción hacia procesos “alineados con el bienestar de la sociedad” y la “preservación del medio ambiente”.

Este enfoque —cada vez más adoptado por compañías conscientes del contexto medioambiental actual— propone que eficiencia y justicia ambiental no son mundos separados, sino prácticas que deben integrarse desde la planificación empresarial misma.

Una de las empresas que ha buscado avanzar en esta dirección es Grupo Argos, un conglomerado o empresa holding enfocado en el sector de infraestructura, con inversiones en sectores clave como la energía (Celsia), el cemento (Cementos Argos), las concesiones viales y aeroportuarias (Odinsa) y el desarrollo urbano. Su actividad tiene impactos directos sobre el suelo, el agua y la biodiversidad, pero también sobre las comunidades donde opera. En los últimos años, ha comenzado a implementar estrategias de sostenibilidad enfocadas en la reducción de emisiones, la economía circular y el diálogo territorial.

Para este especial, conversamos con Ana María Uribe, gerente de sostenibilidad del Grupo Argos, para conocer cómo una empresa con alto impacto territorial en Colombia está repensando sus estrategias desde una perspectiva de sostenibilidad ambiental y responsabilidad social. Aquí puedes conocer más:

Los avances en sostenibilidad empresarial coexisten con modelos de negocio que generan impactos sociales y ambientales significativos, en particular en territorios históricamente marginados. Este panorama plantea interrogantes que invitan a un análisis más profundo:

  • ¿En qué condiciones puede afirmarse que una estrategia empresarial es sostenible cuando implica la intensificación del uso de bienes comunes como el agua o la tierra?
  • ¿Qué criterios serían pertinentes para evaluar el compromiso ambiental de una organización más allá del cumplimiento normativo o de la publicación de reportes voluntarios?
  • ¿Qué transformaciones institucionales, económicas y organizacionales serían necesarias para que la sostenibilidad se traduzca en prácticas consistentes con los principios de justicia ambiental?

Pilar 5: Abrir la conversación: el rol del periodismo

¿Qué papel tiene en la construcción de justicia ambiental?

Esa fue la pregunta que guio nuestra conversación con Andrés Bermúdez, que ha demostrado cómo el periodismo ambiental no es solo una herramienta de información o divulgación, sino un ejercicio de monitoreo democrático: una práctica que observa, cuestiona y hace seguimiento al poder —institucional, empresarial y político— para exigir transparencia, rendición de cuentas y protección de los derechos colectivos, especialmente en contextos de alta conflictividad socioambiental.

A lo largo de su trayectoria, Bermúdez ha documentado tensiones profundas entre megaproyectos presentados como sostenibles y los derechos de las comunidades que enfrentan sus impactos.

Un caso emblemático es el proyecto de bonos de carbono en Cumbal, Nariño, investigado por Rutas del Conflicto. Allí encontró que una de las comunidades indígenas involucradas —pese a habitar el territorio y realizar labores de conservación— desconocía la existencia del proyecto, las transacciones de bonos ya realizadas e, incluso, los beneficios económicos que debería haber recibido. La investigación evidenció fallas graves en las salvaguardas sociales, conflictos de interés entre empresas ejecutoras y auditoras, así como una débil supervisión estatal.

Como advierte Bermúdez, si no se regula con rigor ni se garantiza la participación informada de los pueblos, el mercado de carbono puede reproducir esquemas de despojo bajo el lenguaje de la sostenibilidad.

Conoce más sobre nuestra conversación con Andrés Bermúdez aquí:

Reportajes como los de Bermúdez ilustran cómo el periodismo puede ejercer presión legítima sobre actores económicos y políticos que toman decisiones en nombre del medio ambiente.

Esta tarea cobra especial relevancia en América Latina, donde los conflictos ambientales se entrelazan con desigualdades históricas. En este contexto, el periodismo ambiental no solo informa: abre grietas en los consensos dominantes, cuestiona el uso estratégico del lenguaje verde y amplía el debate público sobre el sentido de una transición justa.

Pilar 6: Aprender con otros: justicia ambiental desde las aulas

Aunque con frecuencia se asocia la justicia ambiental a debates técnicos o a movilizaciones sociales, también se construye en los espacios de formación. Cada vez más estudiantes universitarios participan activamente en esta conversación, no solo desde el aula, sino mediante el trabajo de campo, el análisis crítico y la producción colaborativa de conocimiento junto a comunidades en sus territorios.

Un ejemplo de ello es el ejercicio que hicieron estudiantes de Haciendo Economía 2, una clase de la Facultad de Economía de la Universidad de los Andes, en alianza con Polen Transiciones Justas, un centro de pensamiento colombiano especializado en transiciones energéticas justas, inclusivas y viables. Allí, los estudiantes evaluaron y visibilizaron el impacto de uno de los proyectos de Polen Transiciones Justas en La Guajira.

Su participación trascendió la dimensión académica para convertirse en un aporte a la transformación de las narrativas sobre el desarrollo y el cambio climático. Uno de los resultados más valiosos fue la decisión de centrar el análisis en historias de vida, una estrategia que permitió narrar los impactos del proyecto desde la perspectiva de quienes los experimentan cotidianamente.

Descubre cómo se vivió esta iniciativa aquí:

La participación de estudiantes en procesos de investigación e intercambio con comunidades no solo enriquece su formación académica, sino que transforma las formas en que entendemos el conocimiento y su relación con los territorios. En un contexto como el latinoamericano, el trabajo con comunidades permite cuestionar las jerarquías tradicionales del saber y reconocer que las soluciones no provienen únicamente de laboratorios, bases de datos o modelos teóricos.

Este tipo de prácticas formativas también invitan a repensar el papel de la universidad. Más que un espacio de transmisión de conocimiento técnico, puede ser un puente entre saberes diversos: los de las ciencias, pero también los de las comunidades, los territorios y los cuerpos.

Apostar por una universidad que escucha, que colabora y que se implica éticamente en los procesos que investiga es una manera de ampliar los marcos de la justicia ambiental. No se trata solo de incluir casos locales en los cursos, sino de generar canales reales de interlocución, en los que las preguntas no se formulen desde arriba, sino que emerjan del encuentro entre distintas formas de comprender el mundo y de habitar el medio ambiente.

Pilar 7: Pensar políticas públicas desde la justicia ambiental

Hablar de justicia ambiental en el ámbito de las políticas públicas implica transformar la manera en la que concebimos el desarrollo, el bienestar y la gestión del territorio. No basta con incorporar criterios ambientales en los planes de gobierno: es importante reconocer que las desigualdades sociales, económicas y ecológicas están profundamente entrelazadas, y que no es posible avanzar hacia la justicia ambiental sin enfrentar esas desigualdades desde el diseño mismo de las políticas.

Con esta idea, desde TREES nos aliamos con Reimaginando, un colectivo que promueve espacios de diálogo, colaboración y acción entre académicos, artistas, activistas, empresas, gobiernos y ciudadanía, para divulgar una recomendación de política pública con enfoque de justicia ambiental. Esta propuesta surge de los Diálogos Territoriales sobre Desigualdad, encuentros en los que la dimensión ambiental apareció no como un tema aislado, sino como parte integral de las condiciones sociales, económicas y políticas que configuran los territorios.

De estos diálogos surgió el documento 24 recomendaciones de política para la construcción de equidad en Colombia”. Allí se plantea una ruta para abordar estas tensiones desde los sistemas alimentarios. La propuesta parte de una pregunta provocadora: ¿por qué hay hambre en territorios fértiles?

A partir de este cuestionamiento, la recomendación sostiene que repensar la manera en que se produce, distribuye y accede a los alimentos puede ser una vía para enfrentar la exclusión en el campo colombiano y avanzar hacia una transición ecológica justa que reconozca los saberes locales, la autonomía territorial y la interdependencia entre justicia social y ambiental.

La recomendación plantea políticas orientadas a fortalecer redes de producción, transformación y consumo con enfoque territorial, en las que campesinos, pueblos indígenas y comunidades afrodescendientes sean protagonistas. No se trata únicamente de producir alimentos, sino de garantizar autonomía, empleo rural digno y salud territorial.

Este tipo de apuestas muestran que hacer justicia ambiental desde las políticas públicas no significa limitarse a gestionar riesgos o responder a emergencias climáticas cuando ya es demasiado tarde. Implica concebir al Estado no solo como un aparato que interviene desde el centro, sino como un actor que escucha, acompaña y co-construye con quienes habitan los territorios. Supone establecer relaciones más horizontales entre instituciones y comunidades, y reconocer que la sostenibilidad no se impone desde arriba: se teje con tiempo, confianza y reciprocidad.

Una democracia que amplía las voces que cuentan y redistribuye el poder para que las decisiones que afectan a los territorios no se tomen lejos ni sin consulta, sino con la participación efectiva de quienes sostienen la vida en ellos.

4. Conclusión: tejer lo social y lo ambiental

Este especial abrió una conversación sobre los múltiples caminos desde los cuales puede pensarse la justicia ambiental. Este recorrido propone entender la justicia ambiental no como un asunto aislado, sino como una invitación a transformar nuestras formas de habitar, decidir y convivir con los territorios, desde el reconocimiento de las desigualdades históricas y la escucha activa de quienes las enfrentan cada día.

Para fortalecer la conversación, tuvimos un foro en el que Julia Miranda, representante a la Cámara; Argenis García Valencia, sociólogo y líder afrocolombiano; Juana Hoffman, directora Técnica de Amazon Conservation Team Colombia; y Juan Camilo Cárdenas, cofundador de TREES, dialogaron en torno a las tensiones y los mecanismos que promueven o limitan la justicia ambiental. Puedes ver la transmisión en vivo aquí:

A lo largo del especial, ilustramos las conexiones entre justicia ambiental, justicia social, justicia epistémica y justicia climática. Conexiones que parten de reconocer que conservar no basta si no se redistribuyen beneficios y costos; que proteger ecosistemas implica también proteger a quienes los habitan y los cuidan; y que no puede hablarse de sostenibilidad mientras se mantenga la exclusión de voces y experiencias históricamente silenciadas. Más que ofrecer respuestas únicas, esta conversación invita a pensar colectivamente cómo construir transiciones que no solo reduzcan impactos ambientales, sino que amplíen derechos, reconozcan saberes diversos y transformen la manera en que nos relacionamos con los territorios.

Así lo expresó Juana Hoffman, abogada y directora técnina de Amazon Consevation Team Colombia, en nuestra conversación:

En este sentido, la justicia ambiental requiere transformaciones estructurales en las políticas y en la distribución del poder, pero también una ética cotidiana que entienda el futuro no como un destino fijo, sino como un espacio en constante construcción y debate.

La justicia ambiental no es un punto de llegada ni una agenda cerrada: es una conversación abierta, que se alimenta del intercambio entre actores, disciplinas y territorios. Muchas de las experiencias reunidas aquí muestran que ese proceso ya está en marcha. Lo que queda es seguir escuchando, aprendiendo y actuando con responsabilidad colectiva.

Bibliografía

Apuntes sobre la sociedad cohesionada

«Cuando tenemos una sociedad segregada en lo educativo, la tenemos también segregada en lo social. Es decir, no es solo que vamos a distintas escuelas, es que nunca nos vamos a casar, nunca vamos a ser amigos, nunca vamos a vivir en el mismo edificio. Nuestras trayectorias están fragmentadas», dijo María José Álvarez, profesora de Sociología de la Universidad de los Andes, sintetizando muy bien lo que encontramos con las carteleras. Al cuestionar de dónde viene esa fragmentación, Mauricio García Villegas nos contó que (para variar) se origina de un gran desacuerdo entre conservadores y liberales. Ambos partidos fallaron en establecer un sistema de educación pública, pues no aceptaban las posturas del otro acerca de quién debía ser el responsable de la educación: si el Estado o la Iglesia. 

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