Em março de 2025, Juan Sebastián Lemos, aluno do Mestrado em Economia PEG da Universidade dos Andes, realizou um estágio acadêmico de um mês na Escola de Educação de Harvard. Com o apoio da TREES, essa experiência contribuiu para seu processo de formação como pesquisador, ampliando suas perspectivas acadêmicas e pessoais. Como foi essa experiência para ele? A seguir, compartilhamos seu depoimento.
Graças ao apoio da TREES, tive a oportunidade de fazer um estágio acadêmico na Harvard Graduate School of Education, uma oportunidade que marcou meu crescimento profissional e pessoal e que me deixa com experiências e aprendizados que eu não teria podido viver de outra forma.
Em um nível pessoal, essa experiência transformou minha perspectiva sobre o que é possível. Estudar em Harvard nunca foi uma opção sequer imaginável para mim, mas hoje se tornou um sonho real pelo qual me esforço no trabalho todos os dias. Morar em outro país, adaptar-me a uma nova cultura e comunicar-me em um idioma diferente foi um grande desafio, pois eu nunca tinha tido a oportunidade de fazer isso antes. No entanto, essa também foi uma oportunidade de ampliar meus conhecimentos, questionar meu lugar no mundo, as oportunidades e os privilégios que tenho e fortalecer minha autonomia.
No âmbito profissional, a estadia me permitiu avançar com maior rapidez e profundidade no meu projeto de pesquisa. Participei de seminários e aulas ministradas por professores renomados na área de pesquisa em educação, o que enriqueceu minhas ideias e abriu novos caminhos para continuar ampliando minha agenda de pesquisa. Participei de discussões com alunos de doutorado que compartilharam suas experiências comigo, o que me permitiu entender melhor como se constroem trajetórias acadêmicas em contextos internacionais. Aprendi novas metodologias e abordagens de pesquisa que complementam minha formação anterior e ganhei confiança na minha capacidade de contribuir, a partir da minha experiência, para as discussões e decisões no projeto de pesquisa em que trabalho.
Por fim, também pude estabelecer vínculos com alunos e pesquisadores de diferentes países que compartilham interesses semelhantes. Ao mesmo tempo, estar cercado por pessoas tão qualificadas em um ambiente tão exigente foi um desafio, mas também uma motivação para refletir sobre a qualidade da minha formação com vistas a um futuro alcance internacional. Em resumo, essa experiência me proporcionou mais do que conhecimento: ela me deu clareza sobre minha vocação, novas ferramentas para meu desenvolvimento acadêmico e profissional e o ímpeto para continuar me esforçando.
O TREES, da Universidad de los Andes, e o Programa de Análisis Económico de México (PRAEM), do El Colegio de México, financiam pesquisas em cada uma das universidades às quais pertencem. Essa pesquisa tem como objetivo estudar as causas e as consequências das desigualdades na América Latina. Com o objetivo de promover a discussão de questões e compartilhar os avanços da pesquisa, ambas as iniciativas organizaram quatro Brown Bag Seminars virtuais que promovem a interação entre pesquisadores de ambas as instituições e países.
A primeira reunião, na sexta-feira, 25 de agosto, foi conduzida por Juan Camilo Cárdenas e César Mantilla. Durante essa conversa, intitulada “Informalities in the Global South: Towards a research agenda”, Cárdenas e Mantilla exploraram a formalidade e a informalidade em uma série de relações de trabalho. Eles também identificaram os custos e benefícios de ter relações de trabalho formais e informais e delinearam os desafios metodológicos de sua pesquisa.
O segundo seminário, na sexta-feira, 29 de setembro, foi intitulado: “O impacto das plataformas de transporte no mercado de trabalho: evidências do México”. Laura Juárez, coordenadora do PRAEM, falou sobre sua pesquisa que explora o aumento do trabalho em plataformas digitais de transporte na América Latina. Juárez considera relevante entender os benefícios que isso pode trazer aos trabalhadores, como a flexibilidade, juntamente com as possíveis consequências, como renda variável ou falta de benefícios sociais. Para isso, ele apresentou evidências de sua pesquisa em andamento sobre a entrada gradual do Uber nas cidades mexicanas e seu impacto sobre as variáveis de trabalho das pessoas.
Na terceira reunião, na sexta-feira, 27 de outubro, Raymundo Campos e Aurora Ramírez, pesquisadores do Centro de Estudos Econômicos do El Colegio de México, conduziram a sessão intitulada: “Redistribuição: Como entendemos a desigualdade para um novo pacto social?.
Se você estiver interessado na pesquisa realizada pelo TREES e pelo PRAEM e quiser participar dos Seminários Brown Bag no próximo semestre, 2024-I, Assine o boletim informativo do TREES para receber convites para esses espaços.
O TREES e o Programa de Análise Econômica do México (PRAEM) do El Colegio de México organizaram três Brown Bag Seminars no segundo semestre de 2023, para compartilhar as agendas e o progresso da pesquisa que estão financiando. Como parte do componente de pesquisa do TREES, os Brown Bag Seminars têm o objetivo de promover uma agenda interdisciplinar, com diferentes abordagens, para explorar as causas e as consequências das desigualdades na região.
O primeiro Seminário Brown Bag intitulado “Informalities in the Global South: Towards a Research Agenda” foi realizado na sexta-feira, 25 de agosto, por meio da plataforma Zoom. Juan Camilo Cárdenas, professor da Faculdade de Economia da Universidad de los Andes e responsável pelo componente de divulgação do TREES, e César Mantilla, professor da Faculdade de Economia da Universidad del Rosario, falaram sobre os seguintes tópicos como abordar questões de informalidade no sul global.
Seu seminário começou com uma introdução sobre a informalidade, uma questão estrutural e histórica nos países do sul global. Cárdenas comentou sobre a possibilidade de abordar esse fenômeno a partir de novas perspectivas, como a economia comportamental e experimental, bem como a observação de campo. Ele também explicou que Abordar a informalidade sob uma nova perspectiva implica levantar novas definições e pensar na possibilidade de uma informalidade virtuosa, com benefícios para a sociedade.
Os autores argumentaram que as relações trabalhistas incorporam mais agentes e elementos econômicos do que normalmente se pensa. As interações entre proprietários, gerência e trabalhadores incluem elementos que determinam se a relação é formal ou informal. No entanto, Os pesquisadores propuseram novos componentes que se afastam da dicotomia formal/informal, como respeito, dignidade e confiança, entre outros. Esses componentes são fundamentais, mas não fazem parte de um contrato formal. Além disso, eles destacaram que os acordos formais e informais podem coexistir em um único relacionamento, separando esses conceitos da legalidade. Adicionar novas bordas aos relacionamentos nos permite apagar a divisão dicotômica entre formalidade e informalidade e começar a pensar nelas dentro de uma série de relacionamentos.
Na troca social entre duas pessoas, há diferentes fatores que determinam se a interação é virtuosa ou prejudicial. Mantilla identificou três compensações, ou seja, as compensações que ocorrem entre custos e benefícios, que estão presentes quando o vínculo empregatício é mais formal ou mais informal. A primeira tem a ver com as regras de conformidade. De um lado está o contrato legal e as regras formais. Do outro, a confiança. Uma relação de trabalho formal é regida pelo contrato, enquanto uma relação informal se baseia na confiança entre as duas partes. Os custos desses extremos são: maior exclusão no lado formal e o risco de mecanismos desproporcionais ou ilegais quando a confiança falha e o acordo firmado não é cumprido.
O segundo compensação tem a ver com a reação à incerteza. Em uma extremidade do espectro estão os mecanismos de seguro social em face de qualquer incerteza para proteger as pessoas que fazem parte do acordo formal. A rigidez, entretanto, pode gerar custos para o relacionamento. No outro extremo, há maior flexibilidade diante da incerteza, mas ao custo de nenhuma proteção em circunstâncias excepcionais.
O último compensação está relacionado à assimetria de como as informações são adquiridas para o vínculo empregatício. Por um lado, as informações são adquiridas por meio de documentos formais que funcionam como mecanismos de seleção para escolher com quem o relacionamento será criado. O custo desse extremo é a exclusão daqueles que não tiveram acesso a mecanismos formais para confirmar seu valor. O outro extremo tem um mecanismo de comunicação mais horizontal, por meio de rumores e de uma reputação pessoal “voz a voz”. A desvantagem desse lado do espectro é a possibilidade de desinformação.
Identifique esses compensações levou Cardenas e Mantilla a propor que a informalidade persiste porque, apesar de certos sacrifícios, ela também traz benefícios para aqueles que participam desses arranjos. Por exemplo, a informalidade pode ser o melhor berço para a inovação porque não é limitada pela rigidez dos arranjos formais.
Os pesquisadores apresentaram dois desafios metodológicos. Primeiro, como explicar a criação ou a destruição do valor derivado das relações de trabalho informais e formais? Esse valor tem a ver com perdas ou ganhos em eficiência econômica, mas também em justiça. Em segundo lugar, como definir e medir a informalidade? Esse elemento traz o desafio de como gerar experimentos com trabalhadores informais se eles preferirem não se tornar visíveis para o Estado.
Cardenas e Mantilla propuseram usar as lentes da economia comportamental para abordar a informalidade e explorar quais ferramentas e conhecimentos prévios são aplicáveis nessa pesquisa. Sua agenda, portanto, consiste em quatro elementos. Primeiro, melhorar a taxonomia com a qual falamos sobre relações de trabalho e interações entre agentes econômicos. Segundo, parar de ver a formalidade e a informalidade de forma dividida. Em terceiro lugar, explorar como, por meio da compensações, A informalidade pode gerar valor econômico e justiça. Por fim, amplie as abordagens da economia política e pense em elementos como dignidade, poder, abuso e cuidado.
A sessão foi encerrada com um espaço para perguntas e intervenções do público. Os participantes da Uniandes e da COLMEX compartilharam suas próprias perspectivas sobre o que aprenderam com a informalidade e acrescentaram fatores a serem considerados na pesquisa. Entre os comentários, foram mencionados os desafios da criação taxonômica e o afastamento de conceitos divisivos. A inclusão de outros atores no cenário, como o Estado, também foi proposta, juntamente com uma avaliação de seu poder e alcance. Os pesquisadores ficaram gratos pelas intervenções e comentaram sobre a importância de ter outras perspectivas para enriquecer seu trabalho.
Acesse a gravação completa do primeiro Seminário Brown Bag aqui:
Em 15 de novembro, realizamos a discussão “O Consenso de Washington na América Latina: o que aprendemos e para onde vamos? O evento foi realizado na Universidad de los Andes e foi a primeira atividade presencial da aliança entre o TREES e o PRAEM (Programa de Análise Econômica do México) do El Colegio de México.
O evento teve como objetivo refletir sobre o escopo, os efeitos e as limitações para a América Latina das políticas de liberalização econômica estabelecidas há 30 anos no Consenso de Washington. As reformas que fizeram parte desse Consenso se concentraram em promover a liberdade e a desregulamentação do comércio, limitando assim a influência do Estado no mercado.
Apesar de essas políticas terem levado à estabilidade macroeconômica em alguns países latino-americanos, os desafios da inclusão, da sustentabilidade e do aumento das desigualdades persistem nos países latino-americanos, o que levou a distúrbios sociais e mudanças políticas significativas em alguns países da região. A realização de uma reflexão profunda e plural sobre as decisões tomadas nas últimas décadas é essencial para influenciar a criação de alternativas econômicas, políticas e sociais que ajudem a enfrentar esses problemas persistentes.
Para atingir esse objetivo, a discussão reuniu quatro especialistas: Cecilia López, ex-ministra de Estado da Colômbia, especialista em políticas econômicas e sociais inclusivas do país. Lorenza Martínez, CEO do Actinver Bank, que tem ampla experiência em instituições financeiras públicas e privadas. Olga Lucía Acosta, membro do Conselho de Administração do Banco de la República de Colombia e especialista em políticas monetárias e financeiras. Santiago Levy, chefe da Missão de Emprego na Colômbia, reconhecido por suas contribuições para a luta contra a pobreza.
A conversa incluiu perguntas para refletir sobre as conquistas e o legado do Consenso de Washington em relação à criação de instituições, reformas e políticas públicas. Também explorou as ilusões que não foram concretizadas, juntamente com os fatores que possivelmente interferiram em sua realização. Além disso, analisou as maneiras pelas quais o paradigma proposto na década de 1990 negligenciou fatores da realidade social e política.
Por outro lado, foram incluídas ideias mais específicas sobre os pontos fracos da política social atual, os objetivos atrasados para reduzir as desigualdades, a mudança climática, as políticas de mitigação, os desafios dos bancos centrais na América Latina, a mudança na relação entre os setores público e privado para criar alternativas econômicas e as lições mais importantes aprendidas na luta contra a pobreza.
Se você perdeu o bate-papo, pode assistir à transmissão ao vivo aqui: